quinta-feira, março 16, 2006

Beleza




Estava numa das minhas actividades preferidas, vasculhar o hi5 em procura de caras novas e apercebi-me que existem umas que nos apelam mais que outras. Dei conta disto ao olhar para um cara de uma rapariga de odivelas, completamente normal, de oculos, sem nenhum traço fisico que a destacasse, porem a sua cara era muito agradavel. Julgo que se a conhecesse algum dia e ela fosse divertida e simpatica iria perder-me de amores por ela. Nesse mesmo instante reparei noutra rapariga da costa da caparica, loira, de bom fisico e com um belo sorriso, foi imediata a atraçcao. Se pudesse escolher só pela foto tinha-a escolhido a ela. Porem a experiencia levou-me a respensar o instinto.

Escolhemos sempre um livro pela sua capa, a nao ser que ja tenhamos ouvido falar dele antes. Fazemos o mesmo com as pessoas, so as escolhemos caso tenham uma boa embalagem. O conteudo, aquilo que no fundo procuramos em primeiro lugar fica relegado para segundo plano quando no fundo é o mais importante. Era optimo se todos pudessemos andar com um enorme aparelho portatil de publicidade que anunciasse as qualidades do nosso produto, que levasse as pessoas a ver para alem da embalagem.
Seria muito mais facil assim. A sociedade vai criando as suas embalagens, uma maneira de embrulhar lindamente um produto é com muito dinheiro. Qualquer pessoa fica mais atraente com um belo vestido/fato ou fazendo-se transportar num carro caro. Um porsche ou Benz, nao tem o mesmo impacto que um fiat panda antigo..

Todos ja compramos algo com optimo aspecto que se revelou uma porcaria, e todos temos uma coisa que adoramos, apesar de ser feia como tudo aos olhos dos outros. Quando diz respeito a pessoas talvez devessemos procurar a que mais gostamos, sem olhar para a embalagem, porque esta vai sempre para o mesmo lado, a nao ser que a coloquemos numa prateleira para todos ver e ficarem impressionados com o que possuimos. Quando na verdade nao a conseguimos comer tal é o seu sabor.

.... olhem em volta, quantas embalagens veem? Talvez em vez de gomas a saber a morango seja melhor comer morangos. A barriga nao nos fica a doer, por comermos em demasia, e ficamos contentes e satisfeitos.

;)


Ricardo Pascual

segunda-feira, março 06, 2006

AI AI AI Karaba!











Ricardo Pascual

domingo, fevereiro 26, 2006

A-Ha "Cozy Prisons" (2005)
Take a moment if you dare
Catch yourself a breath of air
There's another life out there
And you should try it

Dead ends hide on every street
Look before you place your feet
Cracks and fissures keep the beat
And you're inside it

Every thought you never dared to think
Every mood you always knew would sink
Every line you spoke out loud in a jest
All the time you took to be your best
Soon forgotten

The sun must never touch your skin
It could expose the dark within
You're paranoid about the paranoia

And panic hits without a sign
You worry about it all the time
Every perfect moment is a hidden warning

Cuz everything makes your pretty head spin
And nagging thoughts are starting to sink in
With everything this way it's better to forget
Than end up in a place with something to regret

Your transatlantic shopping spree
Your health forever guarantees
Organic -bio-life's a breeze in cozy prisons

But hiding out in a salad bar
Isn't gonna get you far
And bottled wine is vinegar tomorrow

Everything around here makes your pretty head spin
Its piling up high and you're back where you begin
Moments you have tried so hard to forget
Are promising to 've been the best one's yet

Everytime you shut your eyes it appears
Everytime you trace your steps back here
None of your convictions have the same old ring
No doubt you found a place for everything
In cozy prisons

So if you're careful
You won't get hurt
But if your careful all the time
Then what's it worth?


Em jeito de resposta ao anterior post do RACTOR...;)

sábado, fevereiro 25, 2006

re-Birth


Ola teclado, é muito agradavel ver-te de novo a produzir magia. Ja faz algum tempo que nao te usava para criar esta maravilhosa coisa que é a escrita. O poder de passar aos outros o que nos vai na alma, na mente, e uma vez por outra no corpo.

Acho que anestesiei-me de mim mesmo na rotina decadente da rotina que nao existe. Nao desisti perante um novo desafio, desisti perante o mesmo desafio. Voltar foi o maior choque de sempre, foi como se nunca tivesse ido, eu tinha mudado e tudo continuava igual. Desisti de mudar e deixei-me cair. Nao fosse eu de extremos e nunca teria caido tao baixo como agora, o suficiente para querer subir outra vez. Para me localizar no grande mapa das coisas que existe nos confins da alma.

Sabes do que ando ? espera, quase desde que vim? De alguem que me comprenda, veja com os mesmos olhos que eu, e nao me faça sentir tao sozinho. Preciso de alguem assim, para fazer algo mais que registar os meus passsos, senao receio bem que teime sempre em voltar ao mais terrivel da minha inexistente personalidade falsa.

Voltar e ver tudo na mesma, sem nada de diferente, tirando a pagina do calendario fez-me tentar gritar amordaçado, ansiando que saisse um som audivel por este mundo que despertasse alguem. Nada aconteceu, foi como se nunca tivesse ido, e tudo o que exista na minha memoria seja um flashback de um filme qualquer. Pois aos olhos de quem fica o que vivemos fora do mundo nao passa de um filme. Ha filmes que passam na tv, outros no cinema e outros sao documentarios.

Nunca irei conseguir ficar aqui. Nao é o pais que me desagrada, nem tao pouco a lingua, ou a cultura, é o estado de espirito. A garra que falta nesta terra, e que eu sempre tive, e que vezes e vezes sem conta tive que cortar as unhas para nao arranhar.

Mudei de vida porque nao estava satisfeito com a que tinha, e fiquei contente com a que tive. Nao fui sempre contente, mas levantava-me da cama com orgulho e fazia a minha vida olhando para a frente e planeando o futuro. Aqui deixo-me ir, sem controlo. Quando sai quis testar se era verdadeiramente capaz de viver sozinho. Se nao me engano, o ultimo nick que tive foi Ricardo Vs. Mundo. Pois era um adversario dessa dimensao que eu queria enfrentar, alguem maior que eu, e que me colocasse ? prova. Numa luta sem igual e que me faria sentir bem e vivo caso obtivesse a vitoria.
Saber que lutamos contra o pior e que vencemos deixa-nos a sentir tao bem, o sabor que fica na boca é maior que o da vitoria. É do sangue que nos correu nas veias, que nos fez pensar mais depressa, e agir mais rapido. Este sabor dá-nos uma energia incrivel, inigualavel na força e na origem. Veio de nos.

Foi este o sabor que senti, antes de ir nas batalhas que tive que travar e durante. E foi este sabor que tive que trocar quando ca cheguei. Troquei por um destino que nao me pertece, por uma vida que nao me diz nada.
Imagina o que é acorda e nao te apetecer dizer nada, esta tudo igual, as mesmas caras, as mesmas perguntas sobre o obvio, tudo igual.. sem mudar.. podes berrar e fica tudo na mesma, podes ficar calado que continuam a falar como se nada fosse, podes falar que continuas a ouvir as mesmas cenas.

Parece-me que na vida, seja ela curta ou longa, tal como a conheço até hoje, tenho 2 inimigos e 2 aliados sempre presentes. Eu mesmo e Deus. Deus e eu mesmo. O unico adversario que nao consigo vencer é aquele cujas barreiras sao criadas na minha mente, Deus continua a criar vida,e eu terei que vive-la. E Deus continua a criar vida e eu vou vive-la , e eu vou conseguir. ~

Força, humildade e ambiçao.

O que eu nunca disse da Anastacia foi que os melhores momentos passados com ela era quando a abraçava, deitados na cadeira de piscina, olhando as estrelas, vendo a agua da piscina e ouvindo os ruidos daquele mundo estranho. Ali nao me sentia sozinho, estava no mesmo local estranho com ela. Nao era que eu a amasse por isso, nem que ela me amasse por isso. Era porque ali estavam dois estranhos a observar o mundo em seu redor. Isto nao consigo encontrar aqui, era o que mais queria, ver o mundo com estes meus olhos, ver os seus reflexos nos olhos de outra pessoa. Ver as coisas de maneira diferente.

Procuro, procuro e nao vejo isto. Contudo mantenho a fé. Em mim e no futuro, as vezes, como hoje parece-me muito distante e nao consigo perceber o que ai vem. Olho para o passado para saber de onde vim e como reagir. Talvez o futuro seja diferente, espero que o seja, mas a força de ter passado no passado deixa-me com a força para combater as adversidades do futuro e para o viver.

-ao RC por uma bela prenda de aniversario ;)


Ricardo Pascual

quarta-feira, janeiro 25, 2006

E por momentos sonhei.

Sonhei que estuda todos os assuntos do mundo,
eram importantes e faziam a diferença.
Sonhei que cultivava o meu cerebro, com a enxada feita de vontade, plantando sabedoria. E que belas, grandiosas, modestas e peculiares arvores brotavam do solo, dando vida ao mundo.

Depois pensei no grande nada, e em todos nós.
Olhei ? morte, sorri ? vida, E coloquei-me no meio da ambas, correndo, deixando o meu ser escorrer para fora de mim.
A ti nada, grande e poderoso nada o deixo!

E agora desperto. O cheiro do cigarro fumado, que nada tem na outra ponta, chega até mim pelo infinito do tempo.

Uma folha em branco sem fim para ti nada.



*ao F.P. (nada)

* ao Tiago, por ter colocado este belo post.

Ricardo Pascual

sexta-feira, janeiro 20, 2006

Quando me sinto ferido e procuro responstas leio Pessoa. Inevitavelmente fecho o livro com uma sensacao de alivio que poucas coisas no mundo me poderiam dar. Nao por ter encontrado uma resposta mas por saber que alguem, antes de mim, o sentiu e o escreveu. Palavra por palavra. Textualmente. Como se tivesse sido eu. Estou certo que a todos voces ja aconteceu isto. Ja leram algum dos poemas dele e sentiram que aquilo era muito de voces, que alguem tinha posto os vossos sentimentos no papel, com mestria e sem pedir autorizaçao...
Talvez nao tenham paciencia para ler este poema, para mim o mais sublime e fantastico da sua autoria. Talvez aquele que é mais de mim. Algumas decadas antes...
(dedico este poema á mulher que AMO. Por me ter feito lembrar que Pessoa existe, por ter recriado em mim este "bichinho". Em memoria á noite em que mo ouviste recitar...)


Álvaro de Campos - TABACARIA

"Nao sou nada.
Nunca serei nada.
Nao posso querer ser nada.
Á parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhoes do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o misterio de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lucido, como se estivesse para morrer,
E nao tivesse mais irmandade com as coisas
Senao uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
Á Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E á sensaçao de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como nao fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual á outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?

Que sei eu do que serei, eu que nao sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que nao pode haver tantos!
Genio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho genios como eu,
E a história nao marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senao estrume de tantas conquistas futuras.
Nao, nao creio em mim.
Em todos os manicomios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que nao tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Nao, nem em mim...
Em quantas mansardas e nao-mansardas do mundo
Nao estao nesta hora genios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspiraçoes altas e nobres e lucidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lucidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verao a luz do sol real nem acharao ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E nao para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razao.
Tenho sonhado mais que o que Napoleao fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que nao more nela;
Serei sempre o que nao nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Nao, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou nao venha.
Escravos cardiacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que nao há mais metafisica no mundo senao chocolates.
Olha que as religioes todas nao ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chao, como tenho deitado a vida.)


Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rapida destes versos,
Portico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.

(Tu que consolas, que nao existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patricia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilissima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou nao sei que moderno - nao concebo bem o que -
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coraçao é um balde despejado.
Como os que invocam espiritos invocam espiritos invoco
A mim mesmo e nao encontro nada.
Chego á janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os caes que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenaç?o ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)


Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje nao há mendigo que eu nao inveje só por n?o ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente

Fiz de mim o que nao soube
E o que podia fazer de mim nao o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem nao era e nao desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a mascara,
Estava pegada á cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bebado, já nao sabia vestir o dominó que nao tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cao tolerado pela gerencia
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

Essencia musical dos meus versos inuteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E nao ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciencia de estar existindo,
Como um tapete em que um bebado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e nao valia nada.

Mas o Dono da Tabacaria chegou á porta e ficou á porta.
Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta tambem, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a lingua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,

Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tao inutil como a outra,
Sempre o impossível tao estupido como o real,
Sempre o mistério do fundo tao certo como o sono de mistério da superficie,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.

Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausivel cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

Acendo um cigarro ao pensar em escreve-los
E saboreio no cigarro a libertacao de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota propria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertaçao de todas as especulacoes
E a consciencia de que a metafísica é uma consequencia de estar mal disposto.

Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)

Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou á janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou á porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu."

15-1-1928

quinta-feira, janeiro 19, 2006

Sugestao do mes de Janeiro de 2006.
Queen - "The Millionaire Waltz"
album: A Day at the Races
ano: 1976
O lado mais lirico dos Queen. Para aqueles que julgam que os Queen sao apenas uma banda de rock pomposo e que escreve verdadeiros hinos, eis aqui uma musica diferente (...de tudo o que ja tenham ouvido), que representa um pouco o que foram os Queen dos primeiros anos, nos quais era vulgar fazerem "amalgamas de musicas" (das quais o Bohemian Rhapsody é o melhor exemplo...) Nao vos prometo que gostem, apenas quero que descubram um pouco mais que o obvio...:)
(se puderem, atentem ao facto de o que ouvem na coluna/phone esquerdo nao é propriamente igual ao que ouvem no direito, especialmente no inicio...:PP)
Depois commentem a dizer o que acharam...;)


"Bring out the charge of the love brigade
There is spring in the air once again
Drink to the sound of the song parade
There is music and love ev'rywhere
Give a little love to me
(I wanna) Take a little love from me
I want to share it with you

Feel like a millionaire
Once we were mad we were happy
We spent all our days holding hands together
Do you remember my love
How we danced and played?
In the rain we laid
We could stay there for ever and ever
Now I am sad you are so far away
I sit counting the hours day by day
Come back to me
How I long for your love
Come back to me
Be happy like we used to be

Come back come back to me
Come back come back to me
Oh come back to me oh my love
How I long for your love
Won't you come back to me?

My fine friend
Take me with you and love me forever
My fine friend
Forever forever

Bring out the charge of the love brigade
There is spring in the air once again
Drink to the sound of the song parade
There is music and love ev'rywhere
Give a little love to me
(I wanna) Take a little love from me
I want to share it with you
Come back come back to me feel
Make me feel like a millionaire..."

sexta-feira, janeiro 06, 2006

Ritornare



Comecei a esboçar um sorriso quando embarquei pela segunda vez abordo do avi?o da tap que iria levar-me de encontro com os meus. Quando olhei em volta, vi tudo o que sempre tinha visto em toda a minha vida aparecer de novo, após uma curta aus?ncia. As gotas da ens?ncia lusitana, que foram derramadas pelos deuses neste pedaço de terra plantado ? beira mar, invadiram-me os sentidos a cada passo que dava em busca do meu lugar. Quando levantávamos voo, vi pela janela, o resumo cinematográfico que a minha mente produzia, com as minhas memorias mais recentes a serem projectadas numa janela oval, por onde gotas de chuva caíam. Na minha mente tinha latente a saudade adormecida das coisas que deixei para trás; Das pessoas que n?o viram o que os meus olhos viram, mas que sentiam se o que via me alimentava a alma.
Cada pedaço do mundo em que os outros me conhecem aparecia lentamente. O café, pequeno e poderoso, Como o povo que o bebe. O jornal com as noticias de uma terra que olha sempre para mais longe para se encontrar. O falar, de sua doce melodia, t?o amarga que dói quando canta, t?o doce que embala quando se ouve. Tudo isto voltava a pertencer ao meu mundo. Entrava como o ar que passava pelo avi?o.
Comecei a pensar nos meus pais, e na vontade que tinha em abraça-los, em ver a minha irm?, o meu gato, avó e amigos. E na falta que tinha sentido, mas que sabia n?o poder ser apagada por eles. Jurei a mim mesmo n?o chorar quando os visse. Como tinha feito tantas vezes quando era pequeno e n?o queria mostrar que estava triste ao mundo. Prometi aguentar as minhas lágrimas perante o mundo que me conhece, pois, agora mais que nunca, eu tinha visto o mundo. Por isto, e por tudo que cada pausa na minha respiraç?o comporta quando penso no que vi, n?o podia chorar.
O seu abraço soube-me bem, como nunca outro poderia algum dia saber. Já n?o eram eles que abraçavam-me, mas sim eu que estendia os meus braços para os trazer de volta ao meu mundo, para mostrar que tinha sobrevivido sem eles, sem os seus abraços.
Um homem tem duas vidas, a que os outros conhecem; e a que deixa que os outros conheçam. Estas eram a cara dos que me conhecem. Depois de eu me ter dado a conhecer ao mundo.
Desejei voltar para o mundo no dia a seguir a ter voltado para ele. Já tinha visto que tudo ficara na mesma, só eu mudara. Pensei combater esta vontade de retornar, mudando o que ficara, mas cedo vi que aqui nada existe para eu mudar. Tudo o que fiz, está feito e n?o pode mudar. Apenas posso andar em círculos, como as rotundas de Massamá, que nunca mudam. Neste mundo que eu deixara é-me impossível construir uma linha recta dentro dele, somente para fora elas s?o permitidas. O abraço que tanto me envolve é o que impede-me de ir em frente, resta-me sair pelo espaço que n?o fecha, neste abraço e ir em busca da distância necessária para ter saudade, deste lugar que nunca mudará.

Se ficar aqui nunca mudarei, morrerei no conforto asfixiante de um abraço, perdido nas rotundas de Massamá



Ao meu mundo,

Ricardo Pascual
Onde fica o pais das maravilhas?



Onde fica esse belo local onde os sentimentos surgem como gotas de chuva, suaves e intensas? É na clausura do relacionamento de dois enamorados ou no isolamento constantemente quebrado da solid?o?

Como chego lá? Devo viajar pelo mundo em busca da chuva que n?o cai do céu, ou devo ficar onde estou, esperando por ela? Chegará a chuva antes da terra fértil se transformar em deserto?

Devo-me criar em negro, com uma presença que tudo absorve, ou devo eu criar-me em branco radiando azul, vermelho, amarelo, verde, roxo, e preto para que os outros absorvam?

E deus, que dizes tu disto?
E eu que sou eu nisto?



Ricardo Pascual

quinta-feira, janeiro 05, 2006

5 de Janeiro 2004 - 5 Janeiro 2006:
Os 2 anos do 3 Imaginary Boys.

sexta-feira, dezembro 30, 2005

List seven songs you are into right now. No matter what the genre, whether they have words, or even if they're any good, but they must be songs you're really enjoying now. Post these instructions in your livejournal along with your seven songs. Then tag seven other people to see what they're listening to


1 Mew - The Zookeeper's Boy
2 Mew - 156
3 Mew - Mica
4 A-Ha - Birthright
5 Queen - White Queen (as it began)
6 Kraftwerk - Computer Love
7 The Cure - Just Like Heaven


and i shall tag:
RACTOR
RC
Pomegranate

quinta-feira, dezembro 29, 2005

A-Ha "Birthright"
"[...]
But who's gonna come with you tonight
Who's gonna to tell you it's alright?
Everything changes over time
Just like wine.

Time ain't gonna hold you up,
Ain't going to make it stop
Long enough to ease your mind,
Ain't gonna make it last forever.

And you...
whatcha gonna do?
Walk it solitary?
So unnecessary
But it's alright
It's your birthright..."

terça-feira, dezembro 27, 2005

Dezembro 2005 - Musica do mes:
Mew - "The Zookeeper's Boy"
album: And The Glass Handed Kites
ano: 2005


"Are you my lady, are you?
Are you my lady, are you?

If I don't make it back from the city,
then it is only because I am drawn away.
For you see, evidently there's a dark storm coming,
and the chain on my swing is squeaking like a mouse.

So are you my lady, are you?
Are you my lady, are you? (The rain is falling down, the cars remain.)

You're tall just like a giraffe,
you have to climb to find its head.
But if there's a glitch, you're an ostrich,
you've got your head in the sand.

In a submersible I can hardly breathe,
as it takes me inside, so the light sings.
Answer me truthfully, do the clouds kiss you?
With meringue-coloured hair, I know they cannot.

So are you my lady, are you? (The rain is falling down, the cars remain.)
Are you my lady, are you? (The rain is falling down, the cars remain.)

Santa Ana winds bring seasickness
Zookeeper hear me out:
How dare you go? (Cold in the rain.)

Tall just like a giraffe,
you have to climb to find its head.
But if there's a glitch, you're an ostrich,
you've got your head in the sand.

Are you my lady, are you?
Are you my lady, are you? (The rain is falling down, the cars remain.)
Are you my lady, are you? (I could not be seen with you, working half the time and looking fine in cars re-made.)"

sábado, dezembro 24, 2005

Oi,

Venho por este meio desejar a todos os nosso assíduos leitores:

UM SANTO E FELIZ NATAL!!!!

Cumprimentos,

OS 4 imaginários ( nós os 3 e o Pai Natal)

quarta-feira, dezembro 21, 2005

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"Are you my lady, are you?"
.
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sábado, dezembro 17, 2005

Veritas




Os nossos reflexos nem sempre nos s?o dados por espelhos ou por pedaços de lat?o polido, ou mesmo, por uma poça de agua iluminada. As vezes vemo-nos em outras pessoas. Vemos quem somos, quem gostávamos de ser, e naquilo que momentaneamente aparentamos ser, normalmente é algo que juramos nunca ser.

Ultimamente n?o me encontro quando vejo um reflexo daquela que devia ser a minha imagem. É como se n?o existisse aos meus olhos, como se tivesse morrido para mim e continuasse a viver para o mundo, numa sucess?o aleatória de acontecimentos que passam por mim e que deixam-me indiferente.

Tenho o comum defeito de gostar de rodear-me de pessoas que se interessam pelo que digo, e de gostar de estar com elas mesmo quando n?o digo nada, e elas dizem tudo. Simbiose de almas.

2005 foi um bom ano. Embora tenha chumbado, por uma mui errada opç?o, viajei para fora; fui onde sempre sonhei em ir; partilhei momentos com pessoas invulgares e que se tornaram especiais. E voltei… Para o mesmo sitio onde estava, que por si só é de se esperar, o que n?o é de se esperar é que depois de ter visto e vivido tudo o que vivi, sinta-me sozinho e sem esperança no dia de amanha. Agora pergunto-me o que é mesmo importante, e o que dá mesmo sabor ? vida. Durante grande parte da adolesc?ncia sonhei com as coisas que fiz neste ver?o. Ir a Nova York, arranjar uma bela rapariga loira de olhos azuis e numa fase mais “verde” ser salva vidas. Fiz isto tudo. Agora pergunto-me o que esperar e pelo que lutar no futuro próximo. N?o quero ficar em casa, sozinho viajando em mim. Quero viver a vida, sofrer, rir, amar e escrever frases cliché em todas as oportunidades que tenha!

E agora para onde?




Ricardo Pascual

sexta-feira, dezembro 16, 2005

Tagged byXTG...
Ground rules: The first player of this "game" starts with the topic "Five Weird Habits of Yourself" and the people who get tagged need to then write a LJ entry about their five quirky little habits as well as state the rules of this game clearly. In the end, you need to list the next five people who you want to tag.

1 - Tenho 1 estranha mania com gavetas. Nao posso ver uma aberta ou semi-aberta que a tenho que fechar. É mais forte que eu!:D

2 - Sou CHATO ate dizer basta a falar dos Premios Valmor (aqueles premios de arquitectura que sao atribuidos anualmente aos edificios lisboetas). Se andarem comigo na ruas sao capazes de me ouvir falar e passarmos por 1 desses, que eu diga em que ano ganhou, qual o arquitecto e ainda vos conte alguma historia sobre o edificio...mesmo que ja vos tenha dito isso 1000 vezes... Por falar nisso, o primeiro premio foi instituido em 1902, tendo sido atribuido pelo Visconde de Valmor, em igual montante ao dono do edificio (Lima Mayer) e ao arquitecto do mesmo (Nicola Bigaglia). O edificio fica no gaveto da Av.Liberdade com a Rua do Salitre e actualmente é o edificio da embaixada de Espanha... Percebem agora, né?:DDD

3 - Só bebo chá quando estou constipado. E sempre acompanhado com mel. Fora isso, recuso sempre chá, dizendo que "nao gosto"!

4 - Tenho 1 colecçao com mais de 500 marcadores de livros diferentes.

5 - Ja li "Os Maias" 3 vezes e estou a pensar voltar a faze-lo brevemente


E eu vou taggar:
RACTOR
RC (será que o vao fazer?)
Pomegranate

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Caro Pai Natal.
Como é da praxe te escrever nesta epoca do ano, aqui vai a minha carta. Queria-te pedir apenas 1 coisa para este Natal: um novo single da Madonna.
Nao, nao quero o single, propriamente dito, como prenda. Quero é que a Madonna lance um novo single. E ate pode ter algum sucesso... Tambem nao, Pai Natal. Nao sou assim taaao altruista...
...o que eu quero é 1 pouco de descanso para os meus ouvidos. Estou farto dos acordes do "Hung up", é a toda a hora, todo o instante! E olha que eu ate gostava bastante da musica dos Abba de onde veio o original... Mas agora ja nao aguento mais!!!
Espero que me tenha portado bem o suficiente para merecer isto como prenda.

Obrigado.
Reflex

quarta-feira, dezembro 07, 2005

"Something about you
Compels me to feel
That a glued together vase
Is still a vase..."

(Mew "Mica")

segunda-feira, dezembro 05, 2005

Esta é a moral de uma história que está circulando de boca em boca entre os principais especialistas norte-americanos em atendimento ao cliente.
A história começa quando o gerente da divisao de carros da Pontiac, da GM dos EUA, recebeu uma curiosa carta de reclamaç?o de um cliente. Eis o que ele escreveu:
"Esta é a segunda vez que mando uma carta para voces, e nao os culpo por nao me responder. Eu posso parecer louco, mas o facto é que nós temos uma tradiçao em nossa familia, que é a de comer sorvete depois do jantar. Repetimos este hábito todas as noites, variando apenas o tipo do sorvete, e eu sou o encarregado de ir comprá-lo.
Recentemente comprei um novo Pontiac e desde entao minhas idas á sorveteria se transformaram num problema. Sempre que eu compro sorvete de baunilha, quando volto da loja para casa, o carro nao funciona . Se compro qualquer outro tipo de sorvete, o carro funciona normalmente.
Os senhores devem achar que eu estou realmente louco, mas nao importa o quao tola possa parecer minha reclamaçao. O facto é que estou muito irritado com meu Pontiac modelo 99".
A carta gerou tantas piadas do pessoal da GM que o presidente da empresa acabou recebendo uma cópia da reclamaçao. Ele resolveu levar a sério e mandou um engenheiro conversar com o autor da carta.
O funcionário e o reclamante, um senhor bem-sucedido na vida e dono de vários carros, foram juntos á sorveteria no fatidico Pontiac.
O engenheiro sugeriu sabor baunilha para testar a reclamaçao e o carro efetivamente nao funcionou. O funcionário da GM voltou nos dias seguintes, á mesma hora, e fez o mesmo trajecto, e só variou o sabor do sorvete. Mais uma vez, o carro só nao pegava na volta, quando o sabor escolhido era baunilha.
O problema acabou virando uma obsessao para o engenheiro, que passou a fazer experiencias diárias, anotando todos os detalhes possíveis, e depois de duas semanas chegou a primeira grande descoberta.
Quando escolhia baunilha, o comprador gastava menos tempo, porque este tipo de sorvete estava bem na frente. Examinando o carro, o engenheiro fez nova descoberta: como o tempo de compra era muito mais reduzido no caso da baunilha em comparaçao com o tempo dos outros sabores, o motor nao chegava a esfriar. Com isso os vapores de combustível nao se dissipavam, impedindo que a nova partida fosse instantanea.
A partir deste episódio, a Pontiac mudou o sistema de alimentaçao de combustível e introduziu a alteraçao em todos os modelos a partir da linha 99. Mais que isso, o autor da reclamaçao ganhou um carro novo, além da reforma do que nao pegava com sorvete de baunilha.
A GM distribuiu também um memorando interno, exigindo que seus funcionários levem a sério até as reclamaçoes mais estapafurdias, "porque pode ser que uma grande inovaçao esteja por atrás de um sorvete de baunilha" diz a carta da GM.