Um novelo que subitamente se desenrolou...Houve 3 acontecimentos na minha vida que jamais esquecerei. Quero dizer, jamais esquecerei até ao dia que nada mais na minha memoria sobrar e que nada deles me recorde. Desses tres houve um deles que claramente me marcou, julgo que o primeiro, se bem que o segundo e o terceiro por certo nao lhe ficarao atrás. O primeiro foi um momento magico, daqueles impossiveis de serem repetidos. No entanto depois veio o segundo e o terceiro e facilmente se consta que afinal momento como o primeiro poderia acontecer por mais algumas vezes. No meu caso foram mais duas vezes. Ou mais ainda, porque de futuro podem acontecer outras duas, ou tres ou mesmo quarto. Mais de quatro vezes nao acredito, é altamente improvavel poder passar por isso mais de meia duzia de vezes. No entanto agora que penso bem, nunca julguei possivel que tal acontecesse comigo sequer uma vez, quanto mais que essa vez fosse repetida por mais duas e perfizesse as tres. Portanto é altamente imprudente dizer que se passará comigo só mais quatro vezes e consequentemente as ditas seis. Porque poderá perfeitamente acontecer por mais de seis, talvez sete ou oito, ou mesmo dez ou a duzia. Ou talvez nao volte a acontecer e eu me fique mesmo por estes ja referidos tres momentos. O que ja nao é mau, tendo em conta que com alguns de voces estou certo nunca aconteceu, ou se aconteceu foi apenas por uma ou duas vezes. Apesar de andarem por aí a gritar aos quatro ventos que já foram mais de dez ou vinte. Como se alguém olhasse para voces e acreditasse que já teriam passado por mais de cinco desses momentos!!! E digo cinco para nao dizer dois ou tres...
Voltando aos tres momentos, posso-vos dizer que duas das vezes quase nem a isso chegou. Foram tao tenues que quase nao mereciam referencia e por pouco que tal nao me aconteceu apenas por uma vez. Mas é facto que aconteceram, tenho a certeza que se pode considerar acontecimentos e que foram tres as vezes que me aconteceram. O mais estranho é que tenho a ligeira sensaçao que entre a segunda e a terceira vez algo aconteceu. Algo que eu nao contabilizei mas que devia. Algo proximo a um acontecimento. Pequeno e insignificante demais para acontecimento se poder considerar, mas intenso e significativo o suficiente para que eu me recorde dele como tal. Sim, afinal foram quatro!! Quatro e nao tres como eu havia anteriormente dito!! Mas se aconteceu entre o segundo e o terceiro nao pode ter sido o quarto. O terceiro tambem nao foi, porque se na altura nao contabilizei este, no momento em que o seguinte ocorreu contei-o como terceiro e nao como quarto... Portanto para todos os efeitos tenho quatro acontecimentos importantes na minha vida, o primeiro, que aconteceu antes de todos os outros, o segundo, que veio a seguir, o terceiro, que foi o ultimo deles todos e mais um outro que se passou algures no meio. Conto claramente quatro acontecimentos mas só enumero tres deles! Sendo assim talvez o nao enumerado nao seja acontecimento nao por nao ter existido, mas por nao entrar na conta. Entao volto a ter apenas de novo os tres acontecimentos do inicio, apesar de terem acontecido quatro... Isto inviabiliza-me por completo que futuramente aconteça um quinto e um sexto porque para todos os efeitos nao existe nenhum quarto apesar dos quatro acontecimentos anteriormente referido e dados. Estarei eu condenado a ter apenas tres acontecimentos dignos de registo na minha vida, por mais que futuramente ocorram?? Mas se estes futuros realmente ocorrerem, a verdade é que se passarao nao tres nem quatro mas mais que isso e por isso serao sempre mais que os tres que conto... Ou será que é melhor esquecer o tal dito que nao entrou em conta apesar de ter ocorrido? Se assim for volto a ter a tranquilidade das contas certas e portanto posso-os enumerar facilmente: primeiro, segundo, terceiro, mas ficar para sempre com quatro acontecimentos ocorrido e como tal quando se passar o seguinte e eu o contar como quarto já nao será o quarto mais sim o quinto, porque nao ha como apagar que antes deste ja quatro outros se passaram, apesar de apenas tres se contarem.
Resta-me entao desejar no meu intimo que de futuro mais nenhum acontecimento se desenrole e eu possa ficar com estes quatro, tres contados e um que eu sei que existiu mas nao se passou. Mas a verdade é que é por momentos destes que a vida vale e eu nao posso desperdiça-la esperando que nada mais ocorra só porque nao os posso contabilizar nem lhes dar uma sequencia logica e ordenadamente numerada. Se calhar é mesmo melhor deixar as contabilidades e começar a viver a vida. Quem sabe se de futuro em vez de os numerar nao lhes darei um nome, uma forma, uma descriçao. E em vez de numeros passe a chamar os momentos e as coisas boas da vida pelo nome, as possa tratar por tu e enfim vive-las e aprecia-las como devido! Sim, talvez seja melhor mudar de vida, passar dias olhando para quadros em vez de numeros e mesmo discordando pela primeira vez do meu mestre Álvaro, negando veemente a sua afirmaçao de que
"o binómio de Newton é tao belo como a Vénus de Milo"! Isso tudo depende do lado da barricada que nos encontremos... eu passei tempo de mais a apreciar o binómio de Newton. Nao lhe achei grande piada, confesso! Chegou agora a hora de achar bela a Vénus de Milo!!
"Muda de vida se tu n?o vives satisfeito
Muda de vida, estas
sempre a tempo de mudar
Muda de vida, n?o deves viver
contrafeito
Muda de vida, se ha vida em ti a latejar
Ver-te sorrir eu nunca te vi
E a cantar, eu nunca
te ouvi
Será te ti ou pensas que tens... que ser assim
Ver-te sorrir eu nunca te vi
E a cantar, eu nunca
te ouvi
Será te ti ou pensas que tens... que ser assim
Olha que a vida nao, nao é nem deve ser
Como um
castigo que tu teras que viver
Muda de vida se tu nao
vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de
mudar
Muda de vida, nao deves viver contrafeito
Muda
de vida, se ha vida em ti a latejar" (A.Variaçoes)(dedicado a todos aqueles que me apoiaram...)Reflex