Os Irmaos Baldé.
Era uma vez numa terra muito quente e humida, quatro irmaos. Os irmaos baldé. O mais velho, foi como todos os mais velhos quem nasceu primeiro, mas ao contrario do que é custume nos mais velhos nao influenciou os irmaos que se seguiram. Ele adorava pegar em pinceis e em tintas e pintar tudo o que visse pela frente. Tal era a sua paixao que por uma semana todas as vacas da aldeia ficaram pintadas das cores do arco-iris.
Foi nesta semana que as paixoes dos outros irmaos se revelaram.
Até ali nao tinham revelado paixao por nada, porem estavam sempre em sintonia relativamente ao que nao gostavam. Por momentos pensou-se ate que a paixao do mais novo seria dormir, uma vez que estava sempre a dormir nas horas das refeiçoes.
-deixemos isto por agora e voltemos a semana do arco iris.. onde tudo mudou.
O senhor Junior nao queria acreditar que alguem tinha pintado de todas as cores as suas vacas, logo na semana que as ia vender. Furioso procurou o culpado, nao teve que ir muito longe, pois debaixo de uma arvore, cansado do ardua tarefa dormia o mais velho dos irmaos Baldé abraçado ?s suas tintas. O senhor Junior pegou no maior pau que encontrou e correu na direcao do cansado irmao, gritando e bracejando com toda a sua raiva saltando-lhe pelos poros.
Os restantes irmaos Baldé, nao menos valorosos que o primeiro, ao aperceberem-se do perigo que este corria, comprenderam que lhes cabia fazer alguma coisa para salvar o irmao. Num acto de magia, usando como nunca as maos e os braços pegaram na lama que rodeava a arvore onde o irmao mais velho dormia e contruiram um muro. Um muro tao alto que a luz do sol nao entrava, tao alto que os passaros nao entravam la, por temer que fossem ter ao outro lado da terra.
O senhor Junior, raivoso de furia, bateu, bateu, bateu até que o pau se quebrasse nas maos de tanto bater. As vibraçoes eram tantas que os passaros que voavam no alto, com medo daquele muro que rodeava a arvore, pensaram que vinham por ali milhares de gatos chineses esfomeados prontos a come-los.
E de repente, sem nada prever. Choveu. Milhares de milhoes de gotas de agua começaram a cair do ceu, a tinta que pintava as vacas do senhor Junior começou a desaparecer, e com ela no mesmo rio colorido que se formara, juntou-se a terra usada para construir o muro, choveu, choveu até nao restar nada.
Quando a chuva parou, so se ouvia uma coisa em toda a aldeia, o riso dos irmaos Baldé , que se riam alto, tao alto que os passaros do ceu temiam agora que fossem, nao gatos chineses, mas ursos polares que vinham em seu encontro. ( - estes embora voassem alto, nao eram os mais corajosos dos passaros)
Por fim o riso parou, parou quando os quatro irmaos Baldé se olharam nos olhos e perceberam que agora tinham todos uma paixao. o mais velho seria pintor, e os outros tres, pedreiros.
Assim foi. Os quatro dedicaram-se a contruir casas. Casas solidas, resistentes, duraveis, e sempre com um brilhante toque final, que as tornou as melhores, eram coloridas de cores mil, e sempre que se entrava nelas tinha-se uma sensaçao de felicidade tal, que os nossos labios sorriam.
*Aos irmaos Baldé.
Nota: Os irmaos Baldé existem mesmo, tive o prazer de voar com eles outro dia. Vinham para Portugal trabalhar na Rua Industrial 191, C/2200-157 Abrantes. Nenhum sabia ler ou escrever. Tres eram pedreiros e um era pintor, tal como na estoria.
Desejo-lhes boa sorte, que o seu futuro seja bom.
Ricardo Pascual