terça-feira, novembro 20, 2007
Quando eu andava aos poucos a pensar que esta década, musicalmente, está-se a aproximar em qualidade aos 80s, eis que regressa o James Blunt em força e me faz assentar os pés na terra!!
...porém está na década errada!
A música do James Blunt tem todos os ingredientes para estar nos anos 90. Está uns 12 anitos atrasado. Assim ainda tinha tempo para lançar uns 3 albunzitos antes de começar o século XXI e esfumar-se na memória colectiva europeia. Assim poderia eu continuar com as minhas grandes esperanças para esta década!!
Há gajos que estão à frente no seu tempo. Este, porém, está 12 anos atrasado...
segunda-feira, novembro 19, 2007
O Boginhas
Como alguns de voces já sabem o meu estimado e querido Boginhas morreu. Deu o seu ultimo sopro a alguns dias atras.
Custumava dizer quando as pessoas entravam no meu carro, em jeito de brincadeira que era o carro do ano, como era de facto, ano apos ano, muito depois de ja nao ganhar o trofeu, muito depois de deixar de ser belo, ou mesmo moderno, continuou a ser o carro do ano.
Recordo-me das viagens em familia quando era mais pequeno, ao som de police, ouvindo roxete, ou every breath you'll take, que acabavam sempre nos mesmos sitios; na ericeira para andar de patins e com sorte um jogo de mini golfe, em torres vedras para comprar o delicioso pao que por ali se faz, e como de costume comer um frango assado na casa da minha tia, ou entao ao extinto parque de monsanto, onde se podia andar de patins, baloico, comer gelado e entrar dentro de um aviao. Em todas estas o Boginhas comportou-se com toda a graça, elegançia e segurança de quem transporta uma familia lá dentro, a quem é confiado o bem mais precioso de todos, a vida.
Não foram as sucessivas viagens ao algarve, ou mais longe ainda que o impressionavam, nem tao pouco as manhas frias, quando o volante se colava aos nossos dedos de tao frio que estava que o impediram de fazer a sua funçao. O calor de verao tambem nao o assustava, sabia-lhe bem, mesmo sendo todo preto e nao tendo ar condicionado.
Os longos quilometros foram sempre feitos com a certeza de quem sabe o que quer, e para onde vai, os sustos foram muitos, nao por culpa do carro, que esse heroicamente salvava sempre o dia, mas sim por culpa de outros que nao estavam conscientes do ouro que o Boginhas transportava.
Carro de podios, foi sempre nele que muitas coisas foram estreadas pela primeira vez, primeiros caminhos desvendados. Foi ele que transportou a minha familia para esta casa nova, quando a outra ficou velha. Foi tambem nele que a minha mae, a minha irma, o meu amigo tiago, a minha amiga marta, a ... cristina, e eu conduziram, alguns pela primeira vez, outros para ganhar confiança para tantos quilometros que fizeram, ou farao, noutros boginhas, os deles. Nunca se queixou, nem tao pouco mostrou cansanço ou falta de vontade em ensinar.
Quando sonhava em tirar a carta no 12º, foi assunto de muitas conversas de adolescente sobre o potencial do seu banco traseiro, ou mesmo sobre um potente sistema de som que iria pedir em muitos natais, mas que esqueci sempre de o mencionar.
Recordo-me que foi num desses natais que me ofereceram uma prenda que ficara para sempre associada ao meu carro, um letreiro como os da radio que diz On Air, mas a dizer SEX -in progress, que se acendia com o toque de um botao, para ser estrategicamente colocado na chapeleira. Liguei-o mais vezes pelo gozo de o ter ligado que para ter sexo, embora até hoje tenha alguma dificuldade em explicar algumas manchas no banco traseiro, ou mesmo o facto de dizer sempre que o mesmo é confortavel e espaçoso.
O Boginhas nao fez so isto, fez muito mais, salvou-me a vida em tantas ocasioes, que sao dificeis de enumerar aqui.
Apesar de nao ter uma unica estrela, foi nele que embateram varios carros, e sempre sairam ilesos os seus ocupantes. O mesmo ja nao se pode dizer dos outros carros, que sempre que tinham a triste ideia de lhe bater sairam sempre mais magoados que o se suponha de confronto tao desigual.
O recorde está em tres batidas na traseira, sendo que uma foi letal para o outro carro, uma muito custosa para o matiz que se atreveu a dizer que travava bem na chuva, e uma que ate se revelou em favor do boginhas, que lhe tirou uma irritante placa na matricula com um nome de um manel GT qualquer - o boginhas nao era de ninguem!-
Talvez mais que todas estas tenha sido a ultima que mais me marcou, e a quem por hoje tenho que agradecer quem sou e onde estou.
Numa manha fria de fevereiro, quando me dirigia para o martirio da universidade e para mais um teste de ingles, um senhor de amarante que conduzia um grande camiao decidiu por a prova a resistencia do meu boginhas, salvou-me a vida o carro, com a sua porta, impediu que eu ficasse de modo algum aleijado. Ja o mesmo nao se pode dizer do outro veiculo, um camiao de imensas rodas que amolgou desde a escada da entrada ao para-choques. Ficou mais cara a reparaçao do camiao que do boginhas. Quem o mandou meter-se com o boginhas? eh eh
Muitos foram os caminhos por onde os sinais eram contrarios, e por onde so jipes andavam, jipes e o boginhas. Sem se queixar, e tendo sempre como recompesa um banho no dia seguinte.
Muitos foram os beijos trocados, e muitas vezes agradeci aos ceus o facto de o banco do pendura ir todo para tras com um simples toque na alavanca. A magia desses momentos nao tem preço, e deixa marca...
Cheguei mesmo a ouvir, "nunca troques de carro". Nunca o fiz, troquei a gaja, porque era uma chata, mas o carro ficou ate hoje. lol
Foram os piores e os melhores momentos que ficaram para sempre marcados na minha memoria. E em todos o facto deste nosso boginhas nunca falhar. Andava e pronto. O resto era para os outros.
Vejo-me forçado a comprar outro, mas é deste que vou sentir falta, é deste que irei contar historias durante muitos anos, e é deste que vou para sempre guardar as mais doces recordaçoes.
Que as estradas do ceu estejam cobertas de ouro para as tuas rodas passarem em caminho à eternidade.
Celebre-se pois a vida do Boginhas!
RACTOR
domingo, novembro 18, 2007
November Rain
E ficou frio..e chove,
"Once more into the breach my friends"
RACTOR
ps : http://www.youtube.com/watch?v=FVvTu1yKLWU
Bom, para quem não conhece este é o Lastfm. Basicamente é uma "comunidade de ouvintes de música", ou seja, fazem o download de um programazinho que lê, guarda e passa para o vosso profile as músicas que ouvem, fazendo tops semanais e globais das músicas que mais ouviram. Depois o engraçado é ver a biografia dos artistas que ouvem, verem quais as musicas mais tocadas por todos os membros da comunidade do artista X ou Y, descobrir as pessoas que têm gostos similares aos vossos e verem o quão compatíveis são com os vossos amigos através de um Taste-o-Meter onde podem ir de uma compatibilidade Very Low até Super!
Um faço parte do Lastfm há alguns meses.
E serve a presente introdução para dizer o quê? Para dizer que no meio daquilo tudo há umas coisinhas chamadas tags. E o que são os tags? Os tags são palavras ou frases que cada membro pode por a um qualquer artista! Por exemplo se eu acho que o José Cid é o máior, posso lá escrever "o máior". E isto torna-se giro quando muita gente escreve o mesmo...
Eu não uso os tags. Porém há quem faça e dão-se casos giros:
O Nicolae Guta apresenta como principais tags os seguintes:
- Minimal Techno (olha, a Nintendo criou um novo estilo de música e não soube!)
- Frankenstein Monster (será que o Boris Karloff iria achar piada a esta crítica velada à sua pessoa?)
- Ugly Betty (não creio... porém é capaz de pôr as donas-de-casa que o ouvem desesperadas...)
- Dafy Duck (não. o dito não usava bigode!)
- Horror (especialmente aquele rebolar na palha sem camisa)
- The Worst Thing Ever Happen to Music (but the best thing ever happen to this blog!)
e há um pequenino, pequenino cool... (isso é quando neva na Roménia)
Depois o músico do mundo #2, o indiano Prabhu Deva:
- Anda Rivaldo sai desse Lago (the best thing ever happen to him in latin countries)
- Sweet (como disse??)
- George Michael from Hell (o melhor tag que alguém lhe poderia conceber!)
e há um pequenino, pequenino lol (não percebo o porquê do pequenino...)
E para finalizar o nosso grande Quim Barreiros:
- Agropop (como disse??)
- Best Mouth in Heavy Metal (como disse??)
- Female Vocalists (como disse??)
- Lesser Known Yet Streamable Artists (como disse??)
e há um grande, grande Seen Live (provando que o homem está ali para as curvas!)
Bom, isto são só alguns exemplos. Quem quiser aprofundar um pouco mais o site do LastFm está aqui à vossa disposição, é só mesmo clicar e escrever o nome do artista que procuram! Se forem membros ou quiserem ser, o meu grupo de amigos está à sempre disposto a receber mais um!:P
Para finalizar! Há outra coisa gira! Chama-se Similar Artists e supostamente os membros vão dizendo com quem acham que se parece o artista X ou Y.
E pergunto eu! Com quem se parecerá musicalmente david hasselHOFF?
E as respostas que me apareceram foram (na janela do programa...se bem que no site não sejam as mesmas):
- Robbie Williams
- Roxette
- Take That
- Backstreet Boys
- Michael Jackson
Um big WTF também para vocês, colegas de LastFM!
Quanto a tags... vejam vocês pelos vossos próprios olhos e riam-se. Riam-se muito!
Termino apenas com parte da sua biografia-Lastfm: "In a recent attempt to cash in of his post-celebrity kitsch appeal, he has produced a number of bizarre music videos, including "Hooked on a Feeling" and "Jump in my Car" which defy good taste and common sense"
Não é tão bom como alguém escreve com palavras bonitas aquilo que vocês acham?
sábado, novembro 17, 2007
Hoje vamos até à vizinha Espanha! Uma ajuda providencial da Maria del Sol fez-me substituir à última da hora a presença da Maria "antes muerta que sencilla" Isabel pelo grande Manolo Escobar.
Ficam aqui as diferentes versões de um dos seus maiores sucessos, Mi Carro, primeiro na versão original, depois no dueto com El Koala (com alguns samples do "ó rama, ó que linda rama à mistura) e por fim numa versão travolteana!
El tono original! Envía CARRO al 7410
Nº de SMS: 3 Coste SMS: 1,2 € + I.V.A.
No compatible con tecnología Imode
sexta-feira, novembro 16, 2007
Definitivamente não gosta de estar muito tempo afastado do 3IB!
(atenção aos estômagos sensíveis)
E para quem perdeu o grande concerto, fica aqui 1 excerto do concerto de Guta em Portugal. (resta-me acrescentar que afinal não existiu apenas o concerto lisboeta de 29/09: no dia seguinte o artista rumou a Sul para um concerto em Portimão).
E mais Guta...Lol.
quinta-feira, novembro 15, 2007
De França chega o non-sense dos Bratisla Boys, projecto de Michaël Youn. É uma banda cujo objectivo maior é parodiar bandas do leste da Europa (e daí o seu nome...), inventando para o caso letras sem qualquer sentido.
Apresento aqui o seu mais famoso single, Stach Stach, 30º single mais vendido em França em 2002.
quarta-feira, novembro 14, 2007
É inegável o crescimento deste blog no último mês e meio. Crescimento em posts, em comments, em views. Sem falsa modéstia, diria que também cresceu em qualidade e quiçá em disparate. Porém não sei se a análise que disso faço é ou não positiva. O blog transformou-se para mim como um escape, como a vida que gostava de viver e não vivo ou ainda melhor, como a vida que tive e que, somehow, deixei de ter. No sentido prático, quase tudo se mantém na mesma, porém na essência muita coisa mudou. A principal é que sinto que eu e apenas eu tenho este ritmo (seja lá ele qual for!). Todos os outros estão demasiado desocupados (e então movem-se mais devagar estando alguns degraus abaixo de mim) ou demasiado ocupados. Para mim. E depois estou eu algures no meio. Inicialmente procurei um compromisso saudável, descer alguns degraus/andar mais devagar ou subir alguns degraus/andar mais depressa. Mas rapidamente desisti. Descobri que apenas eu me movia, apenas eu subia ou descia degraus, apenas eu deixava de viver a minha vida para viver a dos outros. Ninguém queria viver a minha vida - mesmo que o pudessem! Então decidi regressar ao meu lugar, seguir a minha vida, a única que de repente estava parada. Mesmo sendo o único naquele degrau.
Nesse contexto apresenta-se este novo fôlego do 3IB. Um desenvolvimento repentino da criatividade, do non-sense, de algum humor. Não me cabe dizer se a direcção tomada é a correcta ou não, se tenho ou não piada, se os posts são ou não bons. O objectivo nem é esse. E muito menos recolher dos comments algumas migalhas que me reconfortem o ego, já que lá fora, na minha vida pouco ou nenhuma comida tenho tido. Não, nada disso. Vejo-me apenas como um pintor cheio de ideias, mas sem qualquer jeito para a pintura. E então escrevo. Ou grito. Ou esbraçejo. Mas mudo, quieto, amarrado-mãos-e-pés não posso continuar.
Lá fora a vida segue, todos os dias o sol nasce e se põe, e todos os dias acordo-vivo, e todos os dias faço as minhas rotinas. Mesmo que não haja mais ninguém - como não há, todos os outros estão (como anteriormente referido...) alguns degraus acima, alguns degraus abaixo, uns muito ocupados, outros sem nada para fazer - todos com a cabeça demasiado cheia de coisas boas e más para terem espaço para mim. Mas lá fora a vida segue. Lá fora eu vivo-a. Porém cá dentro, dentro de mim, sobra-me o curso e um blog. Mais do que um consolo, são ambos escapes, vivendo dentro deles aquilo que eu supostamente deveria viver fora deles. E por isso, se as pessoas dos degraus acima nem sequer param para pensar, as dos degraus abaixo não entendem o porquê de eu viver a vida como a vivo. Talvez apenas no dia em que subirem alguns degraus me entendam, talvez nem sequer já o queiram fazer, não sei... Sinceramente também não quero saber, quando precisar de um escape nascerá um post sobre o Nicolae Guta ou sobre o Hoff. Quando precisar de desabafar nascerá um post como este ou um qualquer começando com "era uma vez um menino que não gostava de ser compreendido". Quando precisar de inovar, de transgredir regras, nascerá um post em branco, escrito nos comments. Quando precisar de dormir não nascerá nada.
Acredito que um dia o blog deixará de ter 2/3 posts novos por dia. Talvez no dia em que os das escadas de cima desçam para a escada onde sempre tiveram - a minha! - ou que das escadas de baixo subam para a escada onde sempre tiveram - a minha! Ou talvez toda a gente tenha escolhido novas escadas para viver. E eu finalmente descubra uma maneira de viver tranquilamente sem ninguém a rodear-me, e possa-me então sentar no meu degrau e ser feliz. Sem blog. Sem escapes. Feliz. Como um dia fui. Como toda a gente parece ser ou desesperamente tentar sê-lo, vivendo as suas vidinhas sem que eu delas faça parte...
Um grupo de mulheres suecas lançou uma campanha com o nome «peito despido» para terem direito a ir à piscina sem a parte de cima do biquíni
«Iniciámos o movimento há dois meses no Sul da Súcia. O nosso objectivo é suscitar um debate sobre as regras culturais e sociais não escritas que discriminam o corpo da mulher», explicou à agência AFP, Atsrid Hellroth, estudante de 21 anos.
De acordo com a jovem, 15 mulheres têm levado a cabo «acções» indo às piscinas em topless. Cerca de 50 mulheres uniram-se entretanto ao movimento e muitas outras podem fazê-lo também, afirmou a estudante.
«É importante que as mulheres tenham os mesmos direitos que os homens. Quando nos dizem que estar com o peito despido pode suscitar atracção, nós dizemos que os homens devem ser capazes de não nos incomodar apenas porque estamos em topless», explicou Ragnhild Karlsson, de 22 anos.
A campanha, divulgada pelo Ottar, jornal de uma associação sueca de educação sexual, foi lançada depois de um incidente em Setembro quando duas jovens deixaram a parte de cima dos biquínis nos balneários. Chamadas à atenção pelo professor de natação e ao recusarem vestir a parte de cima, foram convidadas a abandonar a aula.
As apoiantes do movimento, que criaram um blogue (barabrost.blogg.se), lançaram uma primeira operação de topless em meados de Outubro numa piscina de Malmo. Um fracasso, segundo o jornal The Local.
Fonte: Sol
SOCIEDADE MACHISTA, ABAIXO A DISCRIMINAÇÃO!!!
terça-feira, novembro 13, 2007
Israel. Hoje vamos viajar até Israel com um dos seus mais conceituados artistas, Arik Einstein. É um artista cujo trabalho é conhecido e adorado um pouco pelos 4 cantos do mundo (como prova este Arik Einstein Fan Club Around the World), com uma carreira sólida com mais de 50 anos.
"Vá lá, são 7 e meia amor, tu tens que ir trabalhar..."
Lavo os dentes e dá na rádio o Arik Einstein a cantaaaaarrr...
E um clip num ambiente mais divertido. Estranhamente divertido e de bigode, claro está! E que mestria a partir pratos!
(this clip was brought to you by... Vista Alegre)
O muito esperado clip de Nicolae & Nicoleta Guta.
Mais um clip sob o signo do dinheiro (e consequentemente patrocinado pela Portucel) em que foram usados inumeros samples da musica do SuperMario Bros. Será que a Nintendo sabe?
Nicolae a solo - com o seu Mercedes e dor de dentes
Afinal ainda há quem não conheça os O-Zone!
segunda-feira, novembro 12, 2007
Matrícula 10/2007,
6208cc, V8, 525cv,
250kms/h limitados electronicamente
4,6seg dos 0 a 100km/h,
2085kgs, 5,07m de comprimento,
211.296€ (42.361 contos)

Porquê senhores (e senhoras), porquê? Porque é que hoje quando passei por ele faltou-me aquela discernimento e coragem que fazem os grandes heróis? A falta de discernimento e coragem que evitaram que eu me atirasse para a frente do paquiderme de mais de 2 toneladas que até vinha devagar!! As semanas que passaria no hospital dar-me-iam tempo mais que suficiente para arranjar uma qualquer culpa exclusiva do condutor e elaborar uma estimativa de um chorudo valor de indemnização que moi exigiria por danos físicos e morais, indemnização essa que seria em concordância com a fortuna do senhor do carro!!
E aí, meus caros e minhas caras, já estou a ver... no cabeçalho deste nosso humilde blog, 3 Imaginary Boys escrever-se-iam a delicados fios de ouro!
domingo, novembro 11, 2007
Há porém outros momentos que são tão ou mais profundos que esses, tão ou melhores que esses, mas que nos tendemos a esquecer. Não sei dizer porquê ao certo. Por exemplo passo a semana a maldizer as malditas aulas de 6a à tarde que tão pouco jeito fazem, estragando o fim-de-semana prolongado e justo. Porém sempre que delas saio sou um homem novo. E digo para mim a cada passada de regresso a casa, que adorei a aula, que é aquilo que quero fazer na vida, que é aquilo que quero fazer na vida. Muitas vezes. Que eu quero ser como aqueles que semanalmente me vão expor a sua sabedoria, o seu conhecimento. Que eu quero saber como eles. Quando for grande-que-já-sou. Porém sei que passarei o resto da semana a maldizer as aulas naquele horário, que chatice ter que lá ir, não poder ficar em casa, bah...
Este post mais não serve para marcar um momento especial. Tenho medo que me esqueça dele, mas principalmente do que senti, das não-tímidas lágrimas que me cairam. Um momento especial que tem poucos minutos de vida e que não merece ficar perdido nos confins de uma memória em que, de tão selectiva que é (coitada, tento-lhe meter tanta coisa lá dentro!!) apaga por vezes coisas que não deve. Bem sei que não deve fazer sentido este post para a maioria de vocês, aliás só fará mesmo sentido para mim...e para ti (sendo tu sabes bem quem...). Não vou revelar que momento é esse, e inclusivé peço que ninguém pergunte.
Este post é meu, o momento é meu. E tudo o resto a ele associado também só meu (e teu) será. Desculpem-me o egoismo, compensar-vos-ei em futuros posts. Este post é e será sempre um pintainho acabado de nascer que acha que sou mãe dele e que jamais abrirei mão dele. Por muito frango que se torne...
Partilho porém a banda sonora do momento.
AMO-TE.
sábado, novembro 10, 2007
A pilha jamais voltou ao relógio, o tic-tac jamais voltou ao meu ouvido. Hoje, passado mês e meio, tenho na parede um relógio que marca as horas às 11:49, às 23:49 e que está parado no restante dia...
No número 2 da nossa rúbrica Músicos do Mundo rumamos mais a Oriente, mais concretamente até à Índia. O artista é Prabhu Deva, conhecido como "Michael Jackson indiano". Coreógrafo e actor, enveredou também pelo mundo da música, sendo a sua principal obra este "Kalluri Vaanil" que passamos a apresentar com umas legendinhas em português que dão um carácter sui generis ao já de si sui generis carácter do clip...
Esteve recentemente no nosso país o cantor romeno Nicolae Guta. Perdi o concerto, mas ainda hoje na periferia cartazes continuam colados em paredes anunciando o evento. Hoje decidi imortalizar neste blog o artista romeno que tantos quilómetros fez para trazer um pouco do seu país aos compatriotas emigrados. Quero-vos então dar a conhecer mais um pouco sobre a obra deste senhor!
Como não me quero alongar, deixo-vos uma imagem, um video e um link, porque valem bem mais que quaisquer 1000 palavras que possa!;)
O Artista

O Video do Artista
O site do Artista
www.nicolaeguta.ro
sexta-feira, novembro 09, 2007
I want you on the floor, get down, go, go, down go!
the sex has made me stupid
the sex has made me stupid
the sex has made me stupid
the sex has made me stupid
the sex has made me stupid
the sex has made me stupid
the sex has made me stupid
the sex has made me stupid
the sex has made me stupid
the sex has made me stupid
the sex has made me stupid
the sex has made me stupid
the sex has made me stupid
the sex has made me stupid
the sex has made me stupid
get down, stupid, I want you on the floor, I want you on the floor , I want you on the floor,
want you on the floor, I want you on the floor , I want you on the floor,
the sex has made me stupid, the sex has made me stupid....
quinta-feira, novembro 08, 2007
Na nossa vida, se atentarmos bem ao que nos rodeia percebemos que o que não faltam por aí são modas, coisas que ciclicamente aparecem e que ciclicamente se vão. Uma dessas coisas são os casais de namorados. Tanto podemos passar por uma fase em que se vêem aos magotes (tipo "era giro se agora nos juntassemos todos para entrarmos no livro do Guiness") e outras vezes desaparecem das ruas, dos jardins, enfim do mapa... Conto pelos dedos das mãos a quantidade de casalinhos de namorados que vi passearem abraçados ou de mão dada nestas últimas semanas... Será que o amor está em vias de extinção?
Se querem saber, ainda bem que não vejo os ditos casalinhos! Não há coisa que mais me tire do sério do que dois seres embevecidamente apaixonados e sem pejo nenhum em mostrá-lo ao mundo quando não tenho ninguém por quem sentir e com quem partilhar aquele momento, ali, à mão, a 5cms-que-já-são-demais...
Neste momento pela minha janela vejo um casalinho de namorados. Adolescentes ainda. Apaixonados ainda... E como neste momento desejo que o amor fosse sempre assim, um tempo parado em torno de coisa nenhuma, um beijo que se dá sem se pedir, um sorriso tonto nos lábios só "porque sim..."!! E como neste momento percebo que também um dia fui assim. "Adolescente ainda. Apaixonado ainda..." E que saudades tenho eu desse tempo perfeito...
A vida é fodida.
Gone till november
http://youtube.com/watch?v=17cmBnziQw4
Uns morrem com o nome, outros famosos.
Uns sao influenciados pelo meio onde estao, outros influencia o meio onde estao. Gostava de ser artista, um artista verdadeiro para poder dizer tudo o que me esta a passar pela cabeça. Gostava de saber fazer musica para pegar na guitarra e aranhar as cordas tanto que enquanto elas choravam acompanhavam os olhos de quem a ouvia. Gostava de saber pintar, misturar de tal forma as cores e as formas que durante anos, decadas, seculos quem por lá passa-se ficasse a olhar, desse-me um segundo da sua vida, dedicado aquela mistura de cores.
Um senhor que ja nao esta ca, uma vez disse, que a vida acontecia enquanto estavamos a fazer planos. As vezes sinto isso mesmo, que esta tudo a acontecer à minha volta e eu ainda estou a planear no que devia acontecer, ou que queria que acontecesse. E depois vejo-me confrontado com o que devo ser.. Claro está que nunca me dei bem com o que deve ser, fez-me tanta impressao como uma camisola que arranha a pele.
Hoje enquanto fazia estes planos todos, enquanto tentava vestir a camisola, perguntaram-me se eu sabia que o meu pai nao estava bem, e que talvez comprar um carro, e uma casa nao fosse a melhor ideia uma vez que as coisas so iram ficar piores, e iria ficar com grande encargo. E depois pensei...
Eu estive bem, estive a fazer o que gosto, e embora nao tenha sido perfeito, ou longe disso, mostrei criatividade e boa onda, valha isto o que valha. Agora só encontro conforto no doce jovem abraço do meu segredo predilecto. Gostava de poder berrar ao mundo que posso estar a falhar em tudo o resto, mas ao menos agora posso partilhar o calor do meu corpo com outra pessoa, e que por breves instantes, em algumas ocasioes, posso parecer tudo o que nao sou, e ouvir falar de um dia mau e faze-lo melhor apenas por ouvir, e la estar. Gostava mesmo de dizer a todos que ao menos nisto, tenho aquilo que procurava. E que é linda.
O que me assusta mais nisto tudo, é que um dia, que pelo andar das coisas se avizinha, vao olhar para mim e perguntar-me para onde ir, e eu, com todo o meu conhecimento, toda a minha creatividade e com tudo aquilo que eu acho que tenho, que é diferente dos outros; nao vou saber responder. Nao vou ser capaz de dizer por onde ir, porque nao tenho ninguem contra ir contra, nem mesmo ninguem para orientar. O meu pior receio nao é perder-me, é perder-me com alguem, e ser eu que sigo à frente sem saber o caminho.
E contudo e apesar de tudo isto, ainda nao sei que raio vou fazer comigo. O calendario ainda esta no dia 28 de agosto. O sol ainda brilha, o tempo ainda esta quente, e ja ando de calças..
As vezes pergunto-me que terei eu feito para ter o que tenho, acima de tudo, que terei eu feito para ter a sorte de umas quantas frases neste post fazerem imenso sentido a algumas, poucas e estimadas pessoas.
Ao menos fica-me a alegria de o ikea alugar carinhas, de o jorge palma ter feito uma bela cançao, e de o blog ter gente nova, a quem saudo. bem vindas. Entrem e partilhem da nossa garrafa de vinho, enquanto vemos a lareira a queimar.
RACTOR
ps: a bela cançao do jorge http://youtube.com/watch?v=WDMJH4yHA9I
quarta-feira, novembro 07, 2007
Esta noite sonhei que um grupo de pessoas (que passaram pela minha vida em diferentes alturas) me tentavam apedrejar.
Dois factos estranhos:
1- ninguém me conseguiu acertar.
2- de repente e do meio de nada, comecei a ouvir a cristalina voz do Tony Hadley ecoando esta bela melodia pelos céus...
Então eu estou a ser apedrejado e de repente:
"We made our love on wasteland
And through the barricades..."
Há coisas em mim que me definitivamente escapam...
terça-feira, novembro 06, 2007

José Malhoa, 2005
José Malhoa, 2106
?????
Queres ser o José Malhoa do início do século XXII?
Se o teu primeiro nome é José e o último Malhoa, se sabes cantar, dançar, pintar ou se tens queda para qualquer outra actividade artística e se só vais nascer depois de 2050, esta é a tua grande oportunidade para ficares na histórica cultural de Portugal!! Inscreve-te já!!!
ou
Post "tenho que deixar de ter ideias para post quando vou no metro..."
Rapazes:
Quando quiserem chatear verdadeiramente uma mulher (vossa namorada ou esposa), atingindo-as no seu ponto fraco:
- Querido, temos que falar...
- Não me digas, estás grávida!! Bem me andava a parecer, essa barriguinha cresceu muito nos últimos tempos!! Que alegria!! E temos que ir rapidamente às compras comprar roupa para grávida, porque não tarda muito já não cabes na tua roupa!
Meninas:
Quando quiserem chatear verdadeiramente o vosso namorado/marido, atingindo-os no ponto fraco:
- Querido, temos que falar...
- Não me digas, estás grávida!! Bem me andava a parecer, essa barriguinha cresceu muito nos últimos tempos!! Que alegria!! E temos que ir rapidamente às compras comprar roupa para grávida, porque não tarda muito já não cabes na tua roupa!
- Sim, estou grávida! Mas o filho não é teu...
sexta-feira, novembro 02, 2007
Ultimamente a minha alma tem estado em promoçao. Sim é verdade por menos de 1000 euros podem te-la,durante um mes inteiro, sem horarios.
E depois acordo a chorar, e depois sonho que me estao a espetar facas, e acordo com dores. E depois ouço sound of silence...
fdx... Et demain, paris! u la la
Ricardo
quinta-feira, novembro 01, 2007
terça-feira, outubro 30, 2007
Porém o menino sentia-se terrivelmente só. No seu mundo faltavam outros meninos e meninas e sem meninos nem meninas com quem brincar a vida não tem piada nenhuma! E então, de capacete e escudo em riste, o menino abriu a porta e defendeu-se de todas as armas de arremesso que conseguiu. Porém, julgando-se conhecedor deste novo mundo, o menino baixou as guardas e num dia de sol, foi atingido, cobardemente, nas costas por uma seta que o trespassou. Quando olhou para trás, num esgar, reconheceu um menino alado, ao qual todos os outros chamavam de cupido. O menino sucumbiu sem um "ai" sequer. No último dos seus momentos visualizou o seu mundo perfeito, a sua concha. Não teve tempo para um último pensamento, um balanço da sua vida. Nunca chegou a perceber se o arrependimento de ter saído da concha era ou não maior que a alegria de ter arriscado...
Hoje o menino ainda lá jaz. Transformou-se em pedra para que todos aqueles que maldizem o amor e para os que o defendem possam, largando os seus escudos e os seus capacetes por um momento, reflectir as virtudes e os defeitos do amor.
O menino da história anterior está sentado numa pedra junto a este menino petrificado. E não sabe no que pensar...
segunda-feira, outubro 29, 2007
Me:
should i cut the blue or the red?
God:
What do your friends advise you to do?
Me:
they told me to ask you...
God:
Who are "They?".
Me:
my friends...
God:
What else do they say?
Me:
should I cut the blue or the red?
God:
What do you think?
Me:
i don't know, this is a bomb, i should do something...
God:
Would you like to know? What kind of a bomb you should do something is it?
Me:
i have 30 seconds before it explodes! blue or red?
God:
That's nice. I have a lot of friends on the Internet. Green. What do you have that is red?
Me:
there is no green one! just a blue and a red? which one should I cut?
God:
Has there ever been green one? Are you telling the truth?
Me:
blue or red?
God:
Green. What do you have that is red?
Me:
red or blue?
God:
Ask me another question.
Me:
blue or red?
God:
Green. What do you have that is red?
Me:
fuck, 5 seconds. I'll cut the blue. meet you there!
Cá estou eu outra vez, a partir à descoberta, a esperar que o texto flua...
Não sei se é mais perturbador a ideia dos coelhos a fornicarem ou a escreverem no seu blog...
Que merda, não sai nada hoje...
E será que os coelhos fazem as encomendas de ovos da Páscoa pelo Easter.com?
Bom, podia começar um post com o típico "Era uma vez...", mas isso já está demasiado batido...
Era uma vez um coelhinho que não gostava de ser compreendido. Na verdade não é fácil compreender um coelho, os coelhos não se levam muito a sério...
Podia por um post com algum video dos Ena Pá 2000, o Bacamarte ou assim...
Co eeelhos, Co eeelhos, são às centenas aos milhares!!! O Coelho de Aveiro rima com dinheiro, mas o da Beloura não nega cenoura!
E se eu fosse ao messenger perguntar a alguém o tema do novo post?
Coelhinha_atrevida diz:
Olá coelhão! Tiveste saudades minhas?:)
Coelhão_69 diz:
Pois não! Anda cá que já te digo!
Coelhinha_atrevida diz:
Tarado!:PPP Por acaso já ia, já...
E se eu perguntasse a Deus??
Olá, Deus! Sou eu, o sr.Coelho, da brigada de minas e armadilhas. Corto o vermelho ou a azul?
E se eu escrevesse para a revista Maria??
Olá, eu sou uma coelhinha timida. Todas as minhas coleguinhas já tiveram pelo menos 23 coelhinhos na sua vida, já pariram pelo menos 12 vezes. Porém nenhum coelho quer saber de mim por mim porque tenho posters do "The Coelhoff" no cacifo e ando sempre a cantar o "Hooked on a Feeling"... chamam-me totó, caolha e afins e fogem de mm a quatro patas. Porém no outro dia tive um sonho erótico com o gato da vizinha. Será que estou prenha?
Podia, sei lá, por uma letra de uma música que expressasse o que sinto, por exemplo...
"De olhos vermelhos e pelo branquinho
Orelhas bem grandes, eu sou o coelhinho...
Comi uma cenoura, com casca e tudo
ela era tão grande, fiquei barrigudo!"
Não, nem isso... Bom, que se lixe, logo posto qualquer amanhã...
Espera, não vás! E que tal fazeres um post sobre coelhos...?!
Ao longo dos tempos o homem tentou falar com Deus. Nem todos foram bem sucedidos, e de poucos reza a historia. Moises o mais famoso, e a mae da joana solnado a menos. Cada um à sua maneira foi perguntando coisas, e pedindo outras. Ate mesmo, e porque nao dize-lo, vos, estimados leitores.
Sera que vou ganhar o jogo? Sera que vou passar no teste? Sera que ela gosta de mim? Sera que vou ao grego? sao exemplos de perguntas que certamente algum dia ja perguntaram a Deus, ou a uma entidade superior na esperança de resposta.
Sei que por esta altura pensaram que uma vez mais deu-me a mazinha.. mas nao! Desta vez descobri mesmo a soluçao para todas as perguntas.
http://www.titane.ca/concordia/dfar251/igod/main.html
Se consultarem este site, iGod dar-vos-a as respostas a todas as perguntas que lhe fazem, algures no meio irao ter acesso a uma revelaçao brutal. Basta fazerem umas perguntas.
Que revelaçao é esta?
A minha foi que a viagem é que importa. Chegar é um ponto na frase, sabe bem se estiver a ser longa, sabe mal se for curta demais, mas sabe sempre bem quando se le, e ajuda a contar a historia
;)
RACTOR
Até que um dia conheceu uma menina. Uma menina que era tal e qual como ele. Em tudo, só que formato-menina! Era linda, tinha olhos a-modo-que-esverdeados e um cabelo comprido muito bonito, a cair para o ruivo. Também não gostava de ser compreendida. Também fazia tolices para enganar o mundo e se ria muito. Também se perdia na solidão de não ser, voluntariamente, compreendida. Um dia, esses dois meninos apaixonaram-se um pelo outro. Muito, muito, muito. E todas aquelas histórias dos livros aconteceram, ouviam os passarinhos a cantar, viam estrelas cadentes, enfim, um montão de coisas novas que não vemos quando não temos uma pessoa ao nosso lado a abrir-nos os olhos. (não vemos, mas elas existem!). Durante muito tempo os meninos não mais se preocuparam em não querer serem compreendidos! De que interessava isso, era tão melhor partilhar um amor com uma pessoa especial!!
Mas o tempo passou, passou, passou. Os meninos cresceram. Amavam-se ainda. Cada vez mais. O mundo continuou a girar. Os passarinhos cantavam sim, mas só na Primavera - decidiram os meninos, visto gostarem muito de animais e acharem que os ditos passarinhos ficariam cansados se cantassem para eles o ano inteiro! As estrelas cadentes passaram a aparecer só à noite! (sim, os meninos até de dia as viam! foi tao giro o dia em que eles, de mão dada, interromperam em plena carruagem do metro um beijinho timido-mas-apaixonado quando viram a passar a grande velocidade uma amiga estrela!). O Sol continuava, porém, a brilhar, dentro deles, 24 horas por dia. Mas - traquinas como só os meninos o conseguem (porque sim, eles cresceram mas continuaram meninos. aliás, assim o serão para todo o sempre...) - decidiram voltar, sob forma de hobby, a não quererem por vezes ser compreendidos! E então, quando ninguém esperava, pum! algo radicalmente estranho, algo radicalmente "não o deverias ter feito", algo radicalmente incompreensível! E os meninos riam, riam, riam...
...até que um dia compreenderam que a cada acto desses, o amor deles morria um pouquinho. De cada vez que um deles não entendia o outro, uma pequenina nuvem dentro do coraçãozinho de menino (ou de menina) crescia, e uma pequena chuva desabava dentro de si. E de repente os meninos perceberam que conseguiam magoar o ser que mais amavam e aquele que mais queriam proteger de tudo-o-que-de-mau-existe sempre que se preocupavam com a mania (sim, eu chamo-lhe mania e por certo vocês também chamarão!) mais obscura que dentro de si achavam...
Passaram-se muitos, muitos anos. Os meninos (hoje um homem e uma linda mulher) ainda se amam, se querem saber! Mas ainda não perderam a mania de, a espaços mais curtos que o desejável, de fazer algo radicalmente estranho, algo radicalmente "não o deverias ter feito", algo radicalmente incompreensível. De se tornarem incompreendidos, de se tornarem invisíveis, de magoar o outro.
Talvez esteja na natureza deles, não sei! (os meninos são naturalmente traquinas! que sejam sérios os adultos-por-opção!) Ou talvez não percebam que a cada nuvem que se forma é um pedacinho de sol que se esconde (e o sol é gigante, mas não ínfimo!). Ou talvez ainda não percebam o precioso tesouro que têm nas mãos - o maior deles todos. O tesouro que faz a menina linda da história ir triste para a caminha e o menino, triste, escrever histórias destas, sonhando o dia em que não as sinta, em que não as escreva...
sábado, outubro 27, 2007
sexta-feira, outubro 26, 2007
Hoje foi um dia de merda. A noite foi boa. Acordei com dores nos tomates. E continuaram. Depois abri o correio. E doeram-me ainda mais.A seguir pensei na vida. E doeram mais. Estou farto. De quase tudo. Menos da " segredo" . A dor subiu até a alma.
E sobe, e sobe e sobe. Alem disso a minha avo esta a morrer, e nada consigo fazer para impedir isso, so a ideia faz-me chorar. tento ser forte, mas é dificil. Nem sei o que fazer. Apetecia-me trincar limoes para ter uma desculpa para me sentir mal, mas era capaz de os achar doces demais.
RACTOR
terça-feira, outubro 23, 2007
Eu sei que não é a primeira vez que o faço. Não será também a última por certo. Mas a verdade é que há alturas na minha vida em que só isto faz sentido. Tudo o que eu possa escrever, tudo o que eu possa dizer, tudo o que eu possa sentir...tudo isso está encerrado do inicio ao fim deste texto. (de qualquer modo, a data foi mudada para que não seja este o último post. Felizmente nem todos precisam de um cigarrinho desta Tabacaria...;)
TABACARIA (Álvaro de Campos)
"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa,
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei-de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora génios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistámos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordámos e ele é opaco,
Levantámo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folhas de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, sem rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
(Tu, que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -,
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei, e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente.
Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-te como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
Mas o dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olhou-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, e eu deixarei versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?),
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o: é o Esteves sem metafísica.
(O dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o dono da Tabacaria sorriu."















