Tenho uma página em branco. Não de papel, apenas uma imagem. Tenho uma imagem em branco para nela escrever. O que quiser - a liberdade de expressão permite-mo. Nem tudo - a moral e ética restringem-me. Mas não faz mal, o que quer que eu escreva será inofensivo, quanto muito lido por meia dúzia de pessoas, e se passar sequer de um emaranhado de palavras e frases muito me surpreenderá.
Aos poucos o ecrã deixa de ficar branca, a imagem pinta-se com caracteres. Algures o mundo começa para alguém, o mundo acaba para outrém. Para a maioria o dia é mais um no meio de milhares, uma gota num copo de água. Para mim também, confesso. "Amanhã é o dia!", é sempre amanhã, nunca hoje. O hoje é sempre uma mera ponte para amanhã, uma ponte para a acção, para o carácter e para a coragem postos em prática. Só que o amanhã chega invariavelmente cedo de mais e adia-se sempre o que se tem a fazer. Por isso resolvi não deixar a imagem em branco e escrever nela algo que mostre que o hoje - por muito igual a todos os hojes desta vida - ...
não, por muito que eu escreva o hoje será sempre mais um hoje, um mar de tranquilidade e marasmo. É bom perder assim dias da nossa vida, dias que são iguais aos demais e por isso bons.
Amanhã virá novo hoje. Espero-o igual ao presente, um marasmo delicioso como o gato que se espreguiça porque está cansado e feliz ao mesmo tempo de nada mais que gato ser.
E nisto o ecrã já não está tão branco. E nisto reconheço que devia ir para a cama e fazer com que amanhã seja o dia!
"Time marches on ahead - enough said
There's only one way through it
Time marches on ahead - one day we'll see it
How there's a fine blue line
Running through it" (A-Ha)
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terça-feira, março 18, 2008
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